18 de fevereiro de 2018

PROTAGONISMO - Eu sei que você odeia isso!





Sempre que vemos algum anime, mangá, ou novel, ainda mais um shonen, o que se espera do protagonista ? Que ele vença as batalhas, e que o final do capítulo, do arco, ou até da história em geral, que ao menos termine bem para o protagonista e seu grupo. Bem, aí que mora o problema, muitos autores fazem uso de uma articulação que é simplesmente: “Ele ganha porque é o protagonista.”

Quantas vezes já vimos nossos heróis virarem batalhas na beira da morte, fazerem coisas impossíveis, mesmo após ter perdido toda mana, chakra e força de vontade, ou estar com ferimentos suficientes para encher uma piscina olímpica de sangue. Situações que também ocorrem como o poder da amizade ser supremo no último segundo… mas isso é outra história. O que venho criticar é o ruim e velho protagonismo.


Nós conhecemos as histórias, conhecemos os esforços que cada um passa, sabemos que as vezes o herói tem uma cartada final, mas quando tudo dá errado, só resta apelar para o poder do protagonismo. 

Ah, é claro! Antes que alguém me apunhale, lembrando que o protagonista pode sim chegar a perder algumas batalhas e, algumas vezes pode voltar a batalhar com o mesmo inimigo, só que com maior treinamento e etc e etc... Tudo bem, outras vezes pode voltar a lutar com alguém que no passado o venceu mas no fim ainda usa da cartada de protagonismo!


Um exemplo clássico é Cavaleiros do Zodíaco, nossos salvadores e protetores apanham, quebram ossos, furam olhos, quebram armadura, mas em algum ponto aparentemente o hack foi ligado e eles acabam ganhando a batalha, geralmente com o mesmo ataque que usam, mas esse último saiu mais poderoso por algum motivo… Poder da fé ? Poder do amor ? Força de Vontade ? Potencial escondido? Na minha opinião, é exagero creditar a estes fatores o desfecho repentino da vitória. Já digo de uma vez, o protagonista e seu grupo podem apanhar o quanto quiserem, mas no fim eles ganham de maneira  miraculosa.


Outro exemplo, já um pouco mais atual é Strike the Blood (desisti de ver), neste anime cada arco termina com o protagonista ficando mais forte, ok, até aí tudo bem, mas toda batalha se encerra com uma conversa entre ele e sua companheira: 

“Daqui em diante, essa luta é minha.”

“Não senpai, essa luta é nossa.”

E mesmo a heroína passando o arco inteiro sendo incapaz de dar um dano significativo no inimigo, após essa frase, ela parece ganhar um boost supremo de poder e derrota o vilão com um corte de sua lança.


Não critico o protagonista vencer, eu critico ele só vencer por ser o protagonista. Overlord tem um personagem principal super overpowered, neste caso, vencer batalhas com facilidade tem sua razão. Em Dragon Ball, os sayajins ganham aumento de poder a medida que suas emoções aumentam, então se recordamos da luta contra Freeza, após a morte de Kuririn, Goku ter recebido um tremendo aumento no seu ki e força é de certa forma explicável. Em Berserk, Gatts passa por torturas horrendas, treinamentos exagerados, então sua resistência e força são resultados disso tudo, ele vencer os demônios é só questão de tempo, mais sofrimento e mais hiatos. E meu último exemplo é Log Horizon com Shiroe sendo sempre um demônio inteligente de óculos, o qual venceu seus oponentes com estratégias avançadas, estando 5 passos a frente de todos.


Não desmereço toda obra que tem protagonismo, mas saiba aqui, que ao vê-las eu tenho um pé atrás, e dificilmente eu daria uma nota de excelência a algo assim. É como se o autor não soubesse dar ao herói um motivo decente de passar por um obstáculo, então fazem isso. Eu poderia citar muitos animes que fogem a regra e muitos que seguem esse padrão, mas assim acabaria gastando mais que 2 páginas, talvez umas 30 páginas.





Dan Andrade, autor na Shounen Go!

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Um comentário:

  1. Gostei da análise. Excelente ver a citação de Overlord, excelente anime.
    E sobre Berserk, o Guts é um louco com um corpo calejado e que se recusa a parar. Ganha as batalhas pela loucura hahahahaha

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