12 de fevereiro de 2018

Death Note - A obra revolucionária



Você já leu ou assistiu Death Note? Ainda não? Bem, talvez esta resenha te convença que deve ler ou assistir a esta obra antológica da dupla Ohba (Roteiro) e Obata (Desenhos). Pois, sem dúvidas, Death Note é o maior Ponto Luminoso da primeira década do século XXI. Ah, e aqueles que já leram o mangá, ou viram o anime, fica a minha opinião acerca desta magnífica obra, aos pequeníssimos detalhes.


Primeiramente, devemos ter em mente que Death Note foi publicado na Weekly Shōnen Jump (Por aqui chamamos somente de Shonen Jump), a principal revista de mangás de todo o Japão, ou seja, de todo o mundo. Lá, como o nome bem sugere, são publicados mangás Shonen, que inclusive são os mais populares em vendas e visualização por todo o mundo. Tais mangás Shonen permanecem numa linha clichê desde os primódios da Jump (Alguns inclusive são bem criticados por isso - Vide: Black Clover), a época de ouro dos anos 70-80... Contudo, alguns "Pontos Luminosos" surgem fazendo coisas diferentes do usual da Jump, mesmo dentro da própria revista, e em períodos específicos (Estas são as obras revolucionárias). Então antes de entender a complexidade da obra de Ohba e Obata, deve-se entender o que são tais Pontos Luminosos. 

O Pontos Luminosos são aquelas obras que estão (utilizarei agora uma expressão clichê) a frente de seu tempo. Isto é, são revolucionárias, quiçá, visionárias. Desde uma mudança na forma de desenhar (Dragon Ball nos anos 80 ou Slam Dunk nos anos 90), a uma mudança de tom, de discurso, de modo que se conta a história (Naruto e One Piece no final dos anos 90). Saindo da área dos mangás - para ficar mais fácil a compreensão para leigos - um Ponto Luminoso da pintura, por exemplo, seria Van Gogh que, mesmo estando entre o período Impressionista-Expressionista, não é caracterizado explicitamente em nenhuma dessas Vanguardas Europeias (Tornando-se para alguns alguém a frente das ideias de seu tempo, aquele que pensou fora da caixinha e, para outros, alguém que bebeu de diversas fontes).

Raito Yagami
Mas voltando a questão Death Note - agora já devidamente esclarecida a expressão "Pontos Luminosos" -, cabe a mim justificar a você, caro leitor de quadrinhos, o porque dessa tal obra, tão breve e direta, ser genial a ponto de estar a frente do seu próprio tempo. Bem, a primeira questão que enfatizei sobre Death Note era a de que foi publicado na Jump, uma revista de SHONEN, muito geralmente com foco TOTAL e UNÂNIME em comédia, luta, ecchi e aventuras fantasiosas, ou colegiais de briga e esportes. Como então (Este é O aspecto) uma obra com traço realístico, na qual não seria surpresa alguma ser chamada de "Seinen", pôde ter sido publicada na Jump? E mais do que isso, pôde ter até um anime (Sem Filler!) e sucesso estrondoso por todo o mundo?

E aí é que está o diferencial! Mesmo sendo um Shonen, a lendária trama de Kira vs Investigadores, passa longe dos clichês comuns no Japão. Isto é, acaba quando acaba, sem ovas ou novas adaptações (Quantos mangás deveriam acabar numa hora e as revistas obrigaram que continuasse devido ao sucesso...), além, é claro, de não apelar para fanservice de ecchi e comédia exarcebada. Tampouco sai do universo comum e real humano para ir a outros mundos, outras realidades, como muitas obras anteriores e até mesmo contemporâneas a Death Note. O ponto que quero chegar é: Death Note foi diferente, quando a demanda e a empresa exigiam que ele fosse igual. E se isto não é genial no mundo da arte, não sei mais o que é.

"Ryuk"
Contudo, não somente de ir contra a maré viveu a obra de mistério policial. Com um misto de suspense, sobrenatural e batalhas psicológicas (Algo bastante incomum, pelo menos como foi posto e ainda mais na Shonen Jump), Death Note pôde levar seu enredo e personagens a níveis mundiais! Com cenas marcantes, sacadas geniais e momentos em que você é posto em completo delírio somente com frases, este mangá nos trouxe EMOÇÃO! Mesmo sem transformações ou artes marciais. Sim, é inovador, sim é um Ponto Luminoso... E não, não possui jornada ou torneio. Mas uma disputa, uma disputa intelectual! 

Este é o clímax da obra, a disputa! Não é uma disputa esportiva ou dada através de socos e pontapés (E olha que por incrível que pareça até tem), mas uma disputa de pistas, indícios, provas e fugas. A disputa lendária entre Kira (Yagami Raito) e L. Posteriormente outras disputas virão, tão implacáveis quanto... Mas para a maioria dos fãs o ápice da obra (tirando seu fim fantástico) é a primeira parte, no embate entre o maior investigador do mundo "L" e o auto intitulado deus do novo mundo "Kira". Tal disputa adentra não somente na questão racional e instintiva de uma investigação policial, mas entra na questão ontológica e filosófica do que seria a real punição para os maléficos, o que seriam os maléficos, e o quão as distintas noções de "bem" e "mal" estariam pré definidas. Afinal, há aqueles que julgam Raito justo, assim como existem outros que estão do lado da polícia. Tal NÃO definição de bem e mal, é tão incomum, que chega a ser assustador pensar como este mangá foi aprovado numa revista "Teen" (E que muitas crianças leem), até porquê, se pensar bem, quem quer que os filhos fiquem em dúvida acerca das atitudes corretas e incorretas da vida? Teriam eles maturidade para distinguir isto? Teriam os adultos maturidade suficiente para isso? Todos? Ou "só" a maioria? E você, estaria do lado de Raito até certa medida? Ou ele é realmente um total criminoso? Reflita. 

"L"
Essas perguntas adentram no íntimo do leitor, enquanto personagens geniais são apresentados. Um exemplo é a Amane Misa "Misa Misa" que tenta dar um alívio cômico a obra tão tensa, mas que, ao mesmo tempo, vira semente plantada em toda esta tensão. Ela não é uma heroína peituda nos padrões comuns (Os peitos permanecem, o resto muda). Isto é, a forma que ela e "Rem" - Seu Shinigami - (Não darei Spoilers), são utilizados, é fantástica e extremamente NÃO clichê ao mesmo tempo que é clichê! Chegam a ser inclusive tão importantes quanto Ryuk - O principal Shinigami da obra -, ou Mello e Near (Esses últimos entram no decorrer da trama - E são cruciais para o desfecho da mesma). Para entender melhor a importância de tais personagens e como eles se apresentam clichês e não clichês ao mesmo tempo, somente lendo o mangá ou vendo o anime (Este, diferentemente da grande maioria, é fiel a obra publicada aos mínimos detalhes, e sequer contém filler). 
Misa Amane "Misa Misa"

Estava procurando uma obra tensa, misteriosa e breve? Achou, é Death Note! Sem dúvida alguma. São personagens bem feitos, arte realista e num padrão distinto do comum, roteiro bem pensado, bem orquestrado, nada de comédia fora de hora, tampouco perpetuação da saga afim de obter mais lucro em cima. Death Note se deu na medida certa, desenvolveu-se bem, solidamente e terminou no auge! Deu o que queria e tinha que dar, sem se manter perpétua por exigências de editores e fãs. Terminou na hora proposta, na hora em que a história em si estava programada para terminar no íntimo do autor. Terminou sem erros, terminou para ficar marcada na história, e como um dos quadrinhos mais influentes e populares de todos os tempos! Você deveria compartilhar do mesmo prazer que tive e deliciar - calmamente - esta fantástica trama (Do começo ao fim). Será um deleite, tenho certeza absoluta que não irá se arrepender. 

Bem, é isto, entre personagens marcantes, cenas antológicas e profundidade filosófica, Death Note se fundou, e se fundou não para ficar por uma década, mas para toda a história. 

Leia o quanto antes, e caso fique órfão de leitura após terminar esta grandessíssima obra, leia Bakuman (Também de Ohba e Obata), tão incrível quanto. Conta, inclusive, um pouco de como a dupla criou Death Note (Nas entrelinhas), e as adversidades externas e internas que passaram.

Teru Mikami (Fundamental para desfecho da obra)

Brendon Cantuária 
CEO, autor e fundador da Shounen Go! 

Shounen Go shounengo.com

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